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Tarifas dos EUA Catalisam Coordenação BRICS

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Por Gabriele Rodrigues e Luna Sarno. 

Tarifas dos EUA catalisam coordenação BRICS

A política tarifária impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caracterizada por um “tarifaço” e pressões explícitas de Washington, tem catalisado uma resposta estratégica e contra-hegemônica do Brasil, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, que busca profundamente ampliar as relações com os países do BRICS.

Com o intuito de solidificar um bloco de resistência e angariar apoio dos líderes do BRICS, Lula tem promovido uma intensa agenda diplomática. Sua conversa com o líder chinês, Xi Jinping, por exemplo, não visou apenas “novas oportunidades de negócios”, mas sim avançar na parceria bilateral como um pilar para a unidade e autossuficiência entre os países. A retórica de Xi Jinping, que explicitamente apoiou a soberania nacional brasileira contra “qualquer unilateralismo e protecionismo”, deve ser lida como uma crítica direta e inequívoca aos “ataques” de Donald Trump ao governo brasileiro e ao Judiciário, além da intensificação da guerra comercial de Washington contra Pequim. As conversas de Lula com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e as futuras agendas com Indonésia e África do Sul, reforçam a estratégia brasileira de contrapor o unilateralismo estadunidense com a defesa enfática do multilateralismo e uma maior integração entre nações que buscam alternativas ao domínio hegemônico.

Tarifas dos EUA catalisam coordenação BRICS
Diante da política tarifária de Washington, líderes do BRICS articulam respostas e agenda comum.

Essa intensa articulação é uma demonstração clara de que o Brasil não pretende se submeter às pressões políticas de Washington nem depender exclusivamente de uma única potência. O BRICS, mais do que um “refúgio”, emerge como uma plataforma crucial para a auto afirmação brasileira no tabuleiro geopolítico global, especialmente diante da recalcitrância da Casa Branca em reverter o “tarifaço”. A observação de Lula de que os EUA teriam “ciúmes” do BRICS e sua analogia com a formação do G20 em resposta à crise de 2008 (causada pelos EUA) sublinham a percepção de uma hegemonia estadunidense em declínio e a busca por novas arquiteturas de poder.

A política tarifária de Trump, que impôs tarifas significativas sobre produtos de México, Canadá e China, abriu uma perigosa “guerra comercial”. Este protecionismo sem precedentes para os EUA em quase um século é comparado por historiadores à Lei Tarifária Smoot-Hawley, que notoriamente exacerbou a Grande Depressão, um sombrio prenúncio dos potenciais impactos destrutivos.

Apesar de serem tecnicamente pagas por empresas importadoras, a verdade é que o custo dessas tarifas é, em grande parte, transferido para os consumidores americanos, que arcam com preços mais elevados, e para as próprias empresas americanas, que veem suas margens de lucro corroídas. Governos estrangeiros, por sua vez, têm respondido com contramedidas retaliatórias agressivas, como as tarifas chinesas sobre produtos agrícolas dos EUA e as imposições canadenses, evidenciando que a política de Trump provoca uma espiral de conflitos comerciais que prejudicam múltiplas economias.

Os “objetivos” declarados por Trump para as tarifas são, em sua essência, uma colcha de retalhos contraditória, que vai desde o controle de fluxos migratórios até a “proteção” de indústrias domésticas e um sistema “recíproco” para evitar que os EUA sejam “roubados”. No entanto, a análise mais crítica revela que sua abordagem é, na verdade, um esforço deliberado para acelerar uma “transição política” nos EUA, redefinindo sua postura no cenário geopolítico para uma de “abertamente imperial”. A burguesia que respalda Trump busca, fundamentalmente, impor um “fechamento de regime” e um protecionismo agressivo, visando blindar o mercado interno da China e “enquadrar” nações que, como o BRICS, intensificam suas relações com Pequim. Isso reflete uma demanda por um regime mais autoritário e menos “democrático”, mesmo que o custo seja a precarização das relações de trabalho e a repressão sindical.

A deterioração da relação entre Brasília e Washington, já tensa, agravou-se drasticamente após a cúpula do BRICS em julho, revelando a profunda insatisfação estadunidense com a crescente autonomia do Brasil. Enquanto o Itamaraty se esforça para projetar a imagem de relações “inabaláveis” com o BRICS, o governo brasileiro se vê obrigado a mitigar os impactos internos do “tarifaço”, buscando evitar o desemprego em setores vulneráveis. A consideração de uma “briga” na OMC e a não descartada retaliação unilateral por parte de Lula sinalizam a resistência do Brasil à imposição unilateral de Washington, revelando que a política externa brasileira não mais se submete passivamente aos ditames de um império em decadência.

Fonte: Tarifaço de Trump contra o Brics pode acabar fortalecendo união do bloco, dizem especialistas

País em foco: Rússia

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